sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Corredor de Ônibus de Porto Alegre


Esta não é a Porto Alegre para o futuro, 
Nem para o presente.

Modernidade ou decadência, o problema em Porto Alegre, não é a confecção de novas obras e sim sua manutenção e atualização, que simplesmente não são feitas.
Porto Alegre se transforma em um sistema caótico e com modal saturado.

Visite Arquivo EPTC sobre instalação do sistema de corredores

CIDADE DE PORTO ALEGRE

Cronologia do Sistema de transporte coletivo - Ônibus, Lotação


1929


A Companhia Carris inicia a operação da primeira linha de ônibus da cidade, com veículos de luxo, modelo White, importados dos Estados Unidos.
Primeiros ônibus e véculos da Carris

Foto – Praça Senador Florencio, década de 1930, ônibus da Carris na rua 7 de setembro


1954


Inauguração da rodoviária para linhas de longa distância, na rua da Conceição, ficava próximo a antiga Estação.

Estação Ferroviária de Porto Alegre, século XIX
Antiga Estação Ferroviária de Porto Alegre na rua da Conceição, depois transferida para av. Farrapos, e desativada

Linda imagem da antiga Estação Ferroviária de Porto Alegre, antes da construção da nova rodoviária e do viaduto da conceição, quem vinha da farrapos, costeava o muro alto da terminal dos trens

Construção do Viaduto da Conceição, ve-se ao fundo na foto 1 a antiga Estação Ferroviária.

A Companhia Carris que estava sob o controle da empresa americana Bond & Share desde 1928, é encampada pela Prefeitura de Porto Alegre, após pedido da própria empresa, em função de seu precário estado financeiro.



1970


Inauguração da rodoviária de Porto Alegre.


A Estação Rodoviária de Porto Alegre é uma das mais movimentadas de toda a região sul do Brasil. Ela foi simplesmente a primeira estação rodoviária do Brasil e está com força total até os dias de hoje.
Foi criada pelo fato de que até a década de 30 quando alguém ia viajar, o ônibus devia passar em sua residência para busca-la. A passagem era comprada na hora e era um sistema muito complicado.
A necessidade de centralizar o serviço rodoviário de embarque, desembarque e a compra de passagens em um único lugar fez com que nascesse a Estação Rodoviária de Porto Alegre, a primeira do Brasil.
A VEPPO & CIA LTDA instalou a primeira rodoviária de Porto Alegre na antiga Praça do Coliseu, que depois foi para a Praça dos Bombeiros (atuais Praça Oswaldo Cruz e Praça Rui Barbosa). Ocorreram mais três mudanças de endereços até o dia 28 de junho de 1970, data da inauguração da atual Estação Rodoviária de Porto Alegre, num projeto do DAER. O prédio da Rodoviária foi considerado, na época, o maior e mais moderno da América do Sul tanto em estilo arquitetônico e quanto no aspecto funcional.

Entrada principal
Vista do aérea

No dia 8 de março, circula o último bonde em Porto Alegre.

Bonde na rua 7 de Setembro
Foto montagem

Motorneiro

Ação da Cia. de Força e Luz PortoAlegrense

1971


A empresa Viação Canoense inicia a operação do primeiro ônibus com reboque do país, apelidado de Romeu e Julieta.

Nota-se que este não é da Vicasa, mas ilustra, é do Expresso Caxiense de Caxias do Sul/RS

1976


No dia 31 de dezembro, a Lei n. 4.260 estabelece em 10 anos o limite máximo para os veículos da frota de coletivos.


Linhas Transversais

A Carris inicia a operação das primeiras linhas transversais, T1, T2, T3 E T4. As demais linhas transversais são criadas em 1989 (T5), 1990 (T6), 1995 (T1 Direta), 1997 (T2A), 1998 (T7), 1999 (T8), 2000 (T9, T9 IPA, T10) e 2006 (T11 Terceira Perimetral).

T 1

1979

Em junho, a Secretaria Municipal de Transportes inicia os estudos de implantação de tratamento preferencial ao transporte coletivo nas avenidas Farrapos e Assis Brasil. Os estudos são finalizados em 0.
Lotação

A frota de Kombi-lotação era composta por 403 kombis.


1980


Em março, a Secretaria Municipal de Transportes inicia os estudos de susbtituição das kombis modelo Volkswagen dos Táxis-Lotação por microônibus de até 17 passageiros sentados, visando proporcionar
maior conforto e segurança aos passageiros. Também, através do Projeto Transcol, inicia-se o estudo de implantação de linhas de microônibus seletivos, para desestimular o uso do automóvel.

Microônibus Lotação atual

Trensurb

Em agosto, a Secretaria Municipal de Transportes inicia os estudos de implantação de um a rede de transportes integrada da Região Metropolitna de Porto Alegre, através do POI – Projeto de Operação Integrada dos Transportes Coletivos. O projeto também tratava de formular diretrizes de alimentação
ao trem metropolitano (Trensurb) que então estava em construção.

Desembarque das locomotivas

Desembarque dos vagões da Tremsurb, de fabricação Japonesa, no cais do porto de Porto Alegre - 1985

Inauguração do Trensurb na estação Mercado - 1985

Corredor de Ônibus Avenida Farrapos - Zona Norte e Oeste 

No dia 20 de setembro, início da operação do serviço de comboio de ônibus ordenados na avenida Farrapos. O corredor de 4,800 km de extensão, com faixas exclusivas no centro da via, contava com uma estação ordenadora do comboio no entrocamento da rua da Conceição dotada de equipamento de sinalização luminosa e sensores embutidos no pavimento que comandava a partida do comboio para os três grupos fixos A, B/C e D. Cada grupo era dotado de até 2 ônibus, sendo de seis veículos a capacidade máxima do comboio. No sentido inverso (bairro-centro) os veículos também seguem em
comboio, mas sem ordenação por setor.


Foto – Corredor Avenida Farrapos em 1980


1981


Corredor de Ônibus Avenida Assis Brasil - Zona Norte

Em janeiro, início da operação do serviço de comboio de ônibus ordenados na avenida Assis Brasil que operava com esquema operacional idêntico ao corredor da avenida Farrapos. O corredor da avenida Assis Brasil de 4,700 km de extensão, contava com uma estação ordenadora na avenida Benjamin Constant, próximo à rótula da avenida Dom Pedro II, de onde partiam até 4 veículos ordenados para os grupos B/C e D.

Estação ordenadora da av. Benjamin Constant

Além dos corredores das avenida Farrapos a Assis Brasil, a Prefeitura também adotou medidas de prioridade aos ônibus com a implantação de faixas exclusivas nas seguintes vias:
Via Número de Lado da Faixas Via Avenida Voluntários da Pátria 2 Direito
Rua Coronel Vicente 2 Esquerdo
Avenida Júlio de Castilhos 2 Direito
Avenida Alberto Bins 1 Contra-fluxo


1982


Em novembro, início da operação do Sistema Integrado de Transporte, através de dois terminais de transbordo, localizados ao longo do corredor da avenida Bento Gonçalves. O terminal intermediário, de construção provisória terminal Alameda, se encontra deslocado 500 metros do eixo do corredor (já desativado). O segundo terminal Antonio de Carvalho, se encontra no final do corredor, na av. Bento Gonçalves com av. Antonio de Carvalho.

Inicio do Sistema de Bilhetagem Eletrônica

No centro da cidade é realizado o embarque simultâneo de passageiros pela porta dianteira, via catraca do ônibus, e pelas porta traseira ou central, via catraca instalada na calçada. Junto ao ponto de embarque foi instalada uma pequena cabine para venda de bilhetes. O corredor Bento Gonçalves, com cerca de 7 km de extensão, conta com sistema de bilhetagem automático idêntico ao de Curitiba, frota de 15 ônibus articulados, 6 ônibus Padron Volvo B-58 de 13 metros de comprimento, além de veículos Mercedes OF-1113. O sistema tronco alimentador opera com 42 veículos.

Modelo de ônibus Caio Articulado utilizado no sistema Corredor Bento Gonçalves

Sistema Unibus, na foto os dois primeiros ônibus da antiga Sudeste utilizados na linha Troncal.

Modelo de ônibus da Caio utilizado para linha Alimentadora no transbordo

Corredor de Ônibus Avenida Bento Gonçalves - Zona Leste


O Corredor Bento Gonçalves também é utilizado por linhas intermunicipais de 4 empresas que fazem a ligação do município de Viamão com Porto Alegre. Estão sendo construídos dois terminais, um distante cerca de 2 km do centro (Azenha) e o outro em Viamão, junto à divisa dos municípios, para uso das respectivas linhas (já desativado).

2000


Terminal Parobé - Zona Central

Em julho dentro do Projeto Corredor Norte/Nordeste, é inaugurado o Terminal Parobé, ao lado do Mercado Público, no centro da cidade, junto com corredor Sertório, ambos com plataformas elevadas no mesmo nivel do piso do ônibus, com embarque e desembarque pela esquerda. O terminal foi projetado em 1998.

Terminal Parobé

2001

III Perimetral

Em janeiro, início da construção da III Perimetral.
No segundo semestre, a Companhia Carris Porto-Alegrense, empresa municipal que atua no transporte coletivo há 128 anos, dobrou sua frota de ônibus Scania com piso baixo. Foram adquiridos mais 32 chassis modelo L 94 UB. São equipados com sistema de rebaixamento de suspensão, ar-condicionado, televisão, videocassete e som ambiente.

Vista aérea da estação Carlos Gomes

Estação Carlos Gomes


2003


Linha Turismo

No dia 20 de janeiro, é inaugurada a linha Turismo, operada com ônibus de dois andares, sendo a
primeira iniciativa do gênero no país. A linha foi criada por decisão do Orçamento Participativo. A
linha interliga os principais pontos de interese turístico da capital, num percurso de 18 km. O veículo
tem capacidade para 88 passageiros e são realizadas 6 viagens por dia.


No dia 12 de abril, inauguração de mais três trechos do Corredor III Perimetral, sendo 3,3 quilômetros na Avenida Coronel Aparício Borges, 2,1 quilômetros na Avenida Carlos Gomes e a rótula das avenidas Protásio Alves com Carlos Gomes e Tarso Dutra.
As estações na rótula da Carlos Gomes com a Protásio Alves, na Nilo Peçanha e na Benjamin Constant com Dom Pedro II terão seus níveis ligados por escadas fixas e rolantes e elevadores, inclusive com acessibilidade aos portadores de deficiência física, idosos e obesos.

Estação Superior III Perimetral

Acesso

Estação Benjamin Constant com III Perimetral

2004


Terminal de Integração Triângulo

No dia 2 de dezembro, é inaugurado o Terminal Triângulo, localiza.do na confluência das avenidas Assis Brasil e Baltazar de Oliveira Garcia, na zona norte, complementando o Projeto Corredor Norte/Nordeste.

Terminal Triângulo


O Terminal Triângulo torna possível as integrações física e tarifária entre o Consórcio Conorte (Linhas TR61 e 520)e as linhas T1, T1 Direto, T4, T6, T7 e T10, da Carris, permitindo ao usuário, na troca de ônibus, o pagamento de uma só passagem.O terminal com área de 8 mil metros, construído com recursos da Prefeitura e do Governo do Estado, custou cerca de 12 milhões de reais.

Vista aérea do terminal

2006

No dia 21 de março, inauguração do viaduto Jayme Caetano Braun, no cruzamento das avenidas Nilo Peçanha e Carlos Gomes, com pista exclusiva para ônibus.

Nível av. Nilo Peçanha
Acesso a estação Nilo Peçanha

Terminal de Ônibus da Restinga

No dia 25 de setembro, inauguração do terminal de ônibus da Restinga, com área de 2.800 metros quadrados e 6 vagas para ônibus.


 
Em novembro, é inaugurada a linha transversal T11 para a Terceira Perimetral da Av. Juca Batista até a zona norte. No dia 26 de fevereiro de 2007 a linha é estendida até o aeroporto Salgado Filho.


2007


Bilhetagem Eletrônica

No dia 31 de julho, início da operação do sistema de bilhetagem eletrônica nas linhas de ônibus
metropolitanas, inicialmente em 36 linhas que ligam Eldorado do Sul e Guaíba à capital. Nessa primeira etapa só foram cadastrados escolares e trabalhadores autônomos para utiilizarem os cartões.
Nas próximas etapas serão cadastrados usuários de vale transporte, idosos e isentos.


No dia 27 de agosto, início das obras de ampliação da avenida Borges de Medeiros, possibilitando a transferência dos pontos finais das linhas em frente ao Mercado Municipal.

Novo terminal da av. Borges de Medeiros com av. Mauá

A previsão é que até o final do ano o sistema esteja implantado em todas as linhas metropolitanas, beneficiando cerca de 700 mil passageiros/dia.
Evolução da Frota de Ônibus de Piso Baixo na Carris.

A Carris foi a primeira empresa de ônibus no Brasil a colocar ônibus especiais com acessibilidade, principalmente cadeirantes e idosos

Veículo com acessibilidade universal

Visite a Memória do Transporte Público - http://www.rota.notlong.com/

O Primeiro Sistema implantado pelo governo do prefeito Guilherme Social Vilela

Na realidade a idéia dos transbordos não é nenhuma novidade na cidade de Porto Alegre. Em 1983 o corredor da avenida Bento Gonçalves foi projetado para trabalhar desta forma. Foi construído o , o terminal Azenha, no bairro Azenha, junto a av. Bento Gonçalves, o terminal Alameda na rua Ten. Alpoin no bairro Partenon, Terminal Antonio de Carvalho na confluência da Bento com Antônio de Carvalho e outro na cidade de Viamão na parada 32 – este último não chegou nem a funcionar. Aqui, na capital, havia diversas empresas de ônibus na zona leste, que são a Robilo, fazia as linhas Intercap, Auto Viação Murialdo fazia as linha do murialdo/Partenon, Auto Viação Pinheiro fazia as linha da Agronomia e Partenon fazia as linhas demais do Partenon, que se fundiram e formaram a Sudeste Transporte Coletivo Ltda para operar o corredor com veículos articulados. E também foi a primeira tentativa de implantar a roleta eletrônica.



Durou pouco, até 1986.


O motivo básico foi este:

Imagine que você está acostumado a pegar seu ônibus diariamente para trabalhar, estudar, consultar o médico, ou qualquer outro motivo e, quando ele chega, está lotado. A viagem é longa e um banco fica vago. Você o ocupa rapidamente. Só que no meio do caminho o veículo pára e você é obrigado a descer e pegar outro carro, mais lotado ainda já que pegou a baldeação de diversas outras linhas igualmente lotadas. Quem gostaria disso? Pois era o que acontecia.
Claro que também teve a participação de políticos demagogos que abortaram o projeto visando ganhar a simpatia da população, que desaprovava o novo sistema.

A Lenda:
Mas, reza a lenda, o motivo real foi outro. Dizem que durante dois anos houve uma evasão acentuada de passageiros sem nenhum motivo e os empresários bateram a cabeça atrás de explicações. Vieram técnicos de São Paulo, fiscalização, tanto da empresa como da SMT, tentaram achar o motivo. Nada. Foi um funcionário da própria Sudeste que acabou entregando o jogo. Como o sistema de cobrança era feito por um pedacinho de papel com uma tarjeta magnética que era introduzida num orifício da catraca eletrônica, em dias de chuva a passagem ficava inutilizada. O motorista simplesmente destravava manualmente a catraca ficando com o bilhete. Esperava secar e revendia a passagem. Dizem, inclusive, que para destravar a roleta, bastava encostar nos terminais e desligar a chave geral do carro.


Terminal Parobé - centro

 
Terminais de ônibus av. Salgado Filho, ônibus com destino a zona sul e leste, maior terminal de ônibus fixos da América Latina

Corredor de ônibus da av. Farrapos - zona norte

Corredor de ônibus da av. Assis Brasil - zona norte


Viaduto Ubirici - corredor de ônibus da av. Assis Brasil - zona norte

Corredor de ônibus da av. Sertório - zona norte

Estação de embarque e desenbarque da av. Sertório

Corredor de ônibus da av. Bento Gonçalves - zona leste

Corredor de ônibus da av. Azenha - Medianeira

Corredor de ônibus da av. Bento Gonçalves - zona leste

Corredor de ônibus da av. Baltazar de O. Garcia - zona norte

Corredor de ônibus da av. Farrapos - zona norte

Corredor exclusivo para ônibus da av. Júlio de Castilhos - centro

Corredor de ônibus da av. Protásio Alves - zona Leste

Corredor de ônibus da av. Oswaldo Aranha - Bom Fim

Av. Oswaldo Aranha

Corredor de ônibus da av. Protásio Alves - zona leste

Corredor de ônibus da av. Érico Veríssimo

Av. Erico Veríssimo

Estação Protásio Alves/ III Perimetral

Estação III Perimetral

Estação Protásio Alves/ III Perimetral

Estação Benjamin Constant/ III Perimetral

Estação Benjamin Constant/ III Perimetral

Estação Nilo Peçanha - III Perimetral

Viaduto Nilo Peçanha/ III Perimetral
Estação III Perimetral - av. Carlos Gomes

O início 1982, estação de transbordo Antonio de Carvalho, zona leste, ônibus articulado modelo Padron da empresa Sudeste

Viaduto Ubiricí


 





No viaduto Ubirici fica o maior comboio exclusivo de ônibus do mundo, pois a primeira estação de passageiros depois do viaduto não suporta a demanda em horário de pico e cria quilômetros de congestionamento.

Saturamento do Corredor de Ônibus Assis Brasil

Viagem massacrante de 10 quilômetros entre centro e zona norte da Capital levou uma hora e meia.

Para milhares de usuários do sistema de transporte coletivo que circulam por uma das principais rotas entre o centro e a zona norte de Porto Alegre, voltar para casa após um dia de estudo ou trabalho não é um alívio, mas um suplício. A superlotação de veículos nos corredores de ônibus no eixo formado pelas avenidas Farrapos e Assis Brasil faz com que uma viagem de apenas 10 quilômetros dure uma hora e meia – tempo suficiente para se deslocar da Capital ao Litoral Norte, por exemplo.
A reportagem de Zero Hora testemunhou, das 18h2min às 19h32min, o drama dos passageiros que chacoalham diariamente na rota do suplício e da paciência.
O longo tempo decorrido entre a saída, no terminal do Centro Popular de Compras, no coração da cidade, até o Terminal Triângulo, na Zona Norte, é resultado da velocidade média a que os ônibus estão limitados pelas condições de trânsito: míseros 7 km/h. Isso equivale a uma pessoa caminhando em ritmo intenso.
Entre as vítimas da lentidão coletiva se encontram estudantes, funcionários de empresas, profissionais liberais e funcionários públicos como a professora Beatriz Gutierrez, 52 anos. O massacre viário a que ela é submetida a cada final de tarde provocou hábitos peculiares na vida da educadora, como aproveitar o tempo de viagem para corrigir as provas de seus alunos.
– Consigo corrigir as provas de duas turmas até chegar em casa, na rua Ary Tarragô – revela.
Segundo passageiro, suplício se agravou nos últimos anos
Quando não há testes a serem revisados, ela desenvolve outras técnicas para driblar o tédio e o cansaço. Uma delas é não repetir o lugar do ônibus onde se senta. Assim, tenta criar a ilusão de que faz uma viagem diferente.
– É muito difícil passar tanto tempo fazendo a mesma viagem, dia após dia. Tento variar o que dá, mas não adianta. Sei de cor a localização de cada prédio desse trajeto – lamenta.
A rotina de casa, onde costuma chegar por volta das 20h, depois de quase duas horas de sacolejo pelas vias da Capital, também é afetada pela lentidão nos corredores de ônibus – que, segundo ela, vem se agravando nos últimos dois anos. É o marido que organiza as tarefas domésticas e a aguarda com a janta pronta. Agora, Beatriz quer comprar um rádio portátil para deixar mais toleráveis os demorados deslocamentos.
No final da tarde de ontem, era isso que distraía boa parte dos ocupantes do ônibus que fazia a linha Planalto/Sabará.
Outros dormiam com a cabeça encostada no vidro do veículo. Alguns, porém, se limitavam a observar através da janela carros e pessoas a pé passarem à frente.
O motorista que os conduzia, Luís Eduardo Rodrigues, 33 anos e quatro de profissão, explica que o trânsito exige paciência profissional.
– Não pode se irritar, tem de ficar sempre calmo. Só assim se consegue trabalhar todo dia nessas condições – explica o motorista.
Os pontos de maior lentidão se concentram ao longo de aproximadamente três quilômetros da Avenida Farrapos, até um breve desafogo a partir da Avenida Brasil, e nas imediações do Viaduto Obirici, onde são necessários 15 minutos para vencer um trecho de não mais do que um quilômetro.
Entre as principais razões para o congelamento do fluxo nos corredores estão:
- Concentração excessiva de linhas de ônibus urbanos e intermunicipais no percurso, que supera a capacidade dos corredores
- Número excessivo de linhas municipais e intermunicipais que utilizam a rota Farrapos/Assis Brasil para se deslocar.

Engarrafamento de ônibus ja era comum desde o ínicio do século XX, veja Paris - França em 1930.